Três bandas unidas, tentando passar por cima das dificuldades do cenário independente em uma cidade tão próxima e ao mesmo tempo tão distante dos centros difusores de cultura do país. Esse é o Rock in Box, uma parceria que envolve alguns dos nomes mais significativos da nova geração do rock capixaba. Quem coordena o projeto é o produtor Felipe Gama e Lorena Louzada. Inicialmente, o Rock in Box prevê a criação de uma estrutura básica que viabilize shows e turnês, além de uma caixa com material de divulgação das três bandas envolvidas. Felipe Gama afirmou que os esforços para a captação de recursos e patrocínio já estão em um estado adiantado. O projeto busca parcerias com algumas empresas capixabas e logo o público começará a notar os resultados dessa iniciativa.
Para o guitarrista Murilo Almeida (Antemic, Volume 7 e ex-Dead Fish), o projeto vem em boa hora porque a nova geração de bandas de Vitória passa por momento de crescente individualismo. “Agente começou a perceber que Vitória tem muitas bandas novas de que agente nunca ouviu falar. Eles fazem os shows deles e só se preocupam em tocar. É como se fossem shows só para o pessoal das bandas”. Murilo afirma que os reflexos dessa falta de articulação podem ser vistos na queda de público que os shows independentes tem sofrido nos últimos tempos em Vitória. “Hoje, você vê shows com um público de 30, 40 pessoas. A dez anos atrás, as pessoas pegavam ônibus e passavam a madrugada na Barra do Jucu em eventos em que o público chegava a duzentas pessoas” . Quem também recorda o passado, só que com menos saudosismo, é o baixista do AlexKid Music, Jackson Pinheiro. Para ele, a inexperiência impediu que muitas bandas se aproveitassem do cenário positivo por que passava a música capixaba há cerca de cinco anos atrás. Jackson disse ver no Rock in Box uma excelente alternativa para passar por cima dos egos e individualismos e conseguir comercializar sua música, buscando reconhecimento dentro e fora do Espírito Santo.
A união de forças é a tônica desse projeto, mas ele também propõe uma reavaliação do conceito de bandas independentes como algo essencialmente underground. A boa comercialização e sustentação financeira são vistos como atributos fundamentais para garantir a esses grupos uma maior longevidade. “A idéia é romper os limites da música underground e conseguir com que as bandas sejam ouvidas pelo maior número possível de pessoas”, explica Amaury Valentim, ex guitarrista do AlexKid Music. Alexandre Barcellos (Antemic) também vê no Rock in Box a possibilidade de que 2008 seja um ano mais produtivo do que foi seu antecessor, marcado por problemas financeiros e mudanças de formação de sua banda. “O projeto está aberto a outras bandas. Futuramente, o Rock in Box pode até se transformar em um selo para as bandas capixabas”, afirma Alexandre.
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